sábado, 4 de setembro de 2010

Sobre a pessoalidade nas modalidades artísticas

Dia desses eu assisti uma peça incrível chamada In On It. Foi no Cena Contemporanea e essa peça me fez refletir sobre uma coisa bastante comum nas artes ultimamente; A quebra da ficção e a inserção do reconhecimento da realidade com comentários, opiniões e tudo mais. Não que seja exatamente uma novidade, Machado de Assis já fazia ao falar diretamente com o leitor e sei lá, Shakespeare também.
Ainda assim, soa mais ou menos como uma contravenção, um quebrar de regras. No meio do uma cena dramática, que te faz acreditar, o personagem x que diz algo para o personagem Y e toda a cena está te comovendo quando o ator para e diz, “eu acho foda ele dizer isso pra ela!!!”
Ou quando um personagem no meio de uma crise de consciencia pergunta “Aonde eu estou, o que é que eu estou fazendo ?” e o outro responde, “numa peça querido”.
E o público adora. Eu adoro. O reconhecimento da realidade, ou a interrelação entre a verdade e a ficção tem sido muito explorado. Acho que depois da teoria da relatividade e do reconhecimento de que não existe neutralidade, existe a necessidade de não da subjetividade, mas do reconhecimento da subjetividade.
Ajuda o fato de que o Individualismo, a Propaganda, o Capitalismo e a Democracia deram a todos o direito de uma opinião, ou melhor, o direito de expressar esta opinião. Assim a contemporaneidade não possui mais seu discurso, sua palavra inteiramente amarrada pelas ditaduras, pela moral, pela tradição, pela religião e as vezes, nem pelo bom senso.
Acho que uma consequência deste fenomeno é a variedade de reality shows e inclusive os blogs, vlogs e afins, todo mundo que dizer o que pensa. As grandes verdades e teorias estão em baixa e as pessoas estao mais interessadas em soluções pessoais, em pessoalidades.
O problema é claro, é que as pessoas se dão ao luxo de falar qualquer coisa, muitas vezes sem informação, baseadas em preconceitos e estereótipos sociais que mais dificultarm do que facilitam a vida em comunidade. Tipo esses astros da internet que as vezes até são engraçadinhos ou coisa assim, mas não tem muito o que dizer.
Dia desses uma professora falava que senso crítico só existe com repertório, ou seja, com o conhecimento de vários materiais. Depois de assistir muitos filmes, ler muitos livros, assistir muitas peças de teatro uma pessoas se torna mais crítica, menos fácil de agradar e ser arrebatada. O porquê nao tem necessáriamente a ver com arrogância intelectual (embora exista, com certeza), mas por exposiçao continuada e senso crítico. O que antes pareceria incrível, agora é bom, e o incrível ser torna realmente a excessão e não a regra.
Ainda assim tem muitos blogs interessantes, de pessoas incríveis, tem muitas idéias originais, e acho que é uma necessidade atual a auto-ironia, o reconhecimento da ficção/realidade que envolvem as artes. Existe auto-consciência demais pra nao perceber nossos próprios ridículos, nossas falhas, e as vezes, simplesmente a nossa condição.

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