quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Sobre Avatar e o caso do Setor Noroeste

O filme do verão deu muito o que falar, e aparentemente vai dar muito mais com esta história toda de Oscar ainda pela frente. E tem o 3D e tal, que pra muita gente foi um atrativo nele mesmo.

Agora, a questão mais importante vem do fato de se inserir na discussão ambiental. Não poderia ter sido em momentum mais adequado, afinal estamos numa virada, momento decisivo e todos nos sabemos, não obstante as seguidas vitórias do capital.
Assim o filme tem o mérito de se colocar no centro da questão ambiental.

Numa estética rave, com elementos tribais africanos* , hollywood reincena a invasão das Américas. A diferença, diferença crucial, é que no filme os "índios" venceram. Não pela superioridade bélica, mas por uma surpreendente virada onde a própria Gaia local, a própria natureza toma partido e ajuda os nativos a expulsarem os invasores. Foi lindo. E tem a história de amor, onde o moçinho branco entende que faz parte de um bando de idiota. Essa parte não é a grande novidade, já tivemos "Dança com lobos" muitos outros exemplos reais e fictícios de situações semelhantes.

É um filme revolucionário, que diz que juntos podemos lutar contra o militarismo e capitalismo sempre associados.

E depois temos Brasilia, segundo tema exposto nessa postagem. Qualquer pessoa em Brasilia que tenha na cabeça algo mais do que academia, dinheiro e azaração tem acompanhado com constrangimento o caso do Santuário dos Pajés, localizado na reserva ambiental a ser transformada no setor noroeste. E tem sua caixa de email bombardeadas por textos, vídeos e informações sobre passeatas e manifestações. No entanto, em Brasília temos a nossa própria versão do Militarismo (Tio Arruda, amado pela PM, principalmente depois de ter dado um aumento pra polícia e arquivado o caso do coronel que agrediu e quebrou o braço de um estudante em uma passeata contra ele) e temos o Capital, o tio Paulo Otávio, grande responsável, junto com outros comparsas, pela especulação imobiliária de Brasilia e que já está podre de rico, mas que acredita que nunca é o suficiente, provavelmente pra compensar algum suspeito complexo de inferioridade.

Assim temos em Brasilia a nossa própria versão do Avatar.

A principio estava pensando muito na invasão das Américas mesmo, afinal a natureza exuberante que tem mais de mata atlântica do que de savanas africanas me fez pensar na gente, e nas continuas derrotas. Depois, pensando melhor vi que esta realidade está muito menos longe, afinal nos aqui em Brasilia temos a nossa cota de invasão, expropriação e destruição da natureza. E o Arruda ainda teve a cara de pau de chamar o setor Faroeste, ops, Noroeste de ecovila, um descarado. O pessoal da biologia já falou das consequências terríveis e desconsideradas deste desmatamento, o problema de água que está na porta de Brasilia, o tratamento de esgoto, o aquecimento e outras histórias.

Aparentemente Paulo Ótário e companhia sairão mais ou menos ilesos. Sem querer ser pessimista, juro que já amarrei o nome deles na boca do sapo e estou na luta para responsabilização e tudo mais. Mas eu gostaria tanto que a nossa realidade parecesse um pouquinho mais com a ficção.

Atualmente porém temos perdido as maiores batalhas ambientais. A conferência de Copenhagen não foi um sucesso e o aquecimento global parece que vai tornar o planeta inabitável.E eu vi, logo depois da conferencia umas propagandas na tv a cabo que me assustaram. Todas elas falavam da necessidade de salvar o planeta, as espécies e as florestas depois de os Estados Unidos e a china terem se recusado a diminuir a emissão de dióxiodo de carbono. No inicio pensei ser uma movimentação civil contra a postura estadunidense, mas depois assisti a uma que falava mais explicitamente (com o Harisson Ford, pra coroar) que as florestas desmatadas eram muito piores para o aquecimento global do que os carros. Ou seja, era na real uma justificativa, dizendo que a culpa do aquecimento global é do terceiro mundo que destroi as florestas (e não do primeiro que banca e compra madeira).

Sou bastante clara no meu posicionamento sobre desmatamento e agronegócio por exemplo, mas temos todos que nos responsabilizar.

Enfim, nossas derrotas estão me deixando um pouco deprimida, o meio ambiente necessita de algumas vitórias.
Aonde estão os homens e mulheres de boa vontade, casseta!
Estou aqui, torcendo enquanto ultima arvore de cerrado permanecer de pé, por um final feliz no nosso Avatar.


http://www.youtube.com/watch?v=CX3e1FEQY6w
http://www.youtube.com/watch?v=If_dlWwd9sg

*A saudação dos nativos do filme faz referência direta à expressão "Sawu bona"-literalmente "te vejo", expressão utilizada pelas tribos do norte da Africa do Sul. Ver Peter Senge (1997).

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